A resposta curta
Procure a ficha OBD2 por baixo do volante, na zona dos joelhos do condutor. Ligue o cabo da máquina com o carro desligado, ligue a ignição sem pôr o motor a trabalhar e deixe a máquina ler o número de quadro (VIN). Em dois ou três minutos tem o carro identificado e pode começar a leitura.
É a primeira coisa que toda a gente faz ao abrir a caixa e, mesmo assim, é onde surgem mais dúvidas. A máquina não liga, não encontra a ficha ou fica em «a comunicar» e não sai dali. Quase sempre se resolve num minuto. Explicamos como fazer tudo bem desde o início.
O que é o OBD2
O OBD2 (ou EOBD, a versão europeia) é o sistema de autodiagnóstico que os carros têm há mais de vinte anos. O próprio carro vigia as emissões e o funcionamento do motor e, quando algo falha, guarda um código de avaria e acende a luz do motor. A ficha OBD2 é a tomada por onde uma máquina de diagnóstico lê esses códigos.
Os códigos OBD2 são iguais em todas as marcas: um P0420 quer dizer o mesmo num Seat ou num Toyota. É isso que qualquer leitor OBD2 barato consegue ler. Mas o OBD2 só cobre motor e emissões. O ABS, o airbag, a caixa de velocidades, o fecho centralizado ou o travão de mão elétrico comunicam pela mesma ficha com protocolos próprios de cada fabricante, e para lá chegar é preciso uma máquina de diagnóstico que conheça a marca, como as iCarsoft.
Onde fica a ficha OBD2
Todos os carros a gasolina vendidos na Europa desde 2001 e os diesel desde 2004 têm uma ficha OBD2 de 16 pinos. A norma obriga a que esteja no habitáculo, ao alcance do condutor. Na prática vai encontrá-la num destes sítios:
| Local | Onde procurar | Onde costuma estar |
|---|---|---|
| Por baixo do volante | À esquerda da coluna, à altura dos joelhos. Às vezes virada para baixo. | A maioria: VW, Seat, Skoda, Audi, Ford, Toyota |
| Atrás de uma tampa | Uma pequena tampa no revestimento inferior do tablier, perto dos pedais ou da alavanca que abre o capô. | BMW, Mercedes, Renault, Peugeot, Citroën |
| Junto à caixa de fusíveis | Ao abrir a tampa lateral do tablier ou a da caixa de fusíveis interior. | Alguns Opel, Fiat e Hyundai |
| Consola central | À frente da alavanca das mudanças ou por baixo de um cinzeiro ou porta-objetos. | Alguns Fiat, Alfa Romeo e modelos antigos |
Se não a encontrar, consulte o manual do carro na parte dos fusíveis ou do diagnóstico. A ficha tem forma de trapézio e 16 pinos em duas filas. Não há como enganar.
Passo a passo para ligar a máquina
- Desligue o carro e tire a chave ou deixe o botão de arranque desligado.
- Ligue o cabo OBD2 da máquina à ficha. Só entra numa posição: não force. Nas máquinas portáteis (como a CR Pro ou as monomarca V2.0) é a própria ficha que alimenta o equipamento, que liga sozinho.
- Ligue a ignição sem pôr o motor a trabalhar. Ou seja, todas as luzes do quadrante acesas, mas o motor parado. Nos carros com botão, carregue nele sem pisar o travão nem a embraiagem.
- Escolha a marca ou deixe-a ler o VIN. Quase todas as iCarsoft atuais leem o número de quadro e reconhecem marca, modelo, ano e motor. Se pedir a escolha manual, faça-a com calma: escolher o motor errado é a principal causa de «não encontrar» uma centralina.
- Lance a leitura automática. A máquina percorre todas as centralinas e diz-lhe quais têm avarias. A partir daqui já pode ler, apagar ou fazer a manutenção de que precisa.

Com o motor a trabalhar ou parado?
Para ler e apagar avarias e para a maioria das manutenções, com a ignição ligada e o motor parado. Há exceções que a própria máquina lhe vai pedir: os dados em tempo real do motor fazem mais sentido com ele a trabalhar, tal como a regeneração do filtro de partículas ou algumas calibrações da direção. Se puser o motor a trabalhar, faça-o num local ventilado e nunca numa garagem fechada.
Bateria. Com a ignição ligada e o motor parado, o carro gasta bateria. Para uma leitura rápida não há problema, mas se vai estar mais de 15 ou 20 minutos (codificações, várias funções seguidas) ligue um carregador ou um mantenedor de tensão. Uma tensão baixa provoca erros de comunicação e avarias falsas.
Se a máquina não liga ou não comunica
Verifique isto por ordem. Em nove de cada dez casos o problema está aqui:
- Não liga. O pino 16 da ficha dá os 12 V. Em muitos carros partilha o fusível com o isqueiro ou a tomada de 12 V. Se o isqueiro não funciona, já sabe por onde começar.
- Liga, mas não comunica. Confirme que ligou a ignição. Com o carro totalmente desligado, muitas centralinas não respondem.
- Carro mal escolhido. Volte atrás e deixe a máquina ler o VIN, ou verifique o ano e o motor.
- Pinos dobrados ou sujos na ficha do carro. Acontece muitas vezes em carros onde alguém deixou um localizador ou um dongle ligado.
- Acessórios ligados. Desligue localizadores GPS, caixas de seguradoras ou leitores Bluetooth que partilhem a ficha.
- Carros com gateway de segurança. Alguns modelos recentes da Fiat, Jeep, Alfa Romeo e outras marcas do grupo Stellantis deixam ler, mas não apagar sem desbloqueio. Explicamos em gateway de segurança FCA.
- Software desatualizado. Se o seu carro é muito recente, atualize a máquina. Explicamos como em como atualizar uma iCarsoft.
Cabo, Bluetooth ou VCI: o que muda
As máquinas portáteis funcionam sempre com cabo. Os tablets como a CR Max P ou a CR Ultra usam um pequeno módulo (VCI) que se liga à ficha e comunica com o tablet por Bluetooth. A ligação é a mesma, só que pode andar à volta do carro com o ecrã na mão. Dá jeito para testes de componentes ou para ver dados em tempo real com o capô aberto.
E agora?
Com a máquina ligada, o normal é começar por uma leitura completa e ler as avarias. Se procura algo concreto, tem guias para o reset do óleo, o travão de mão elétrico ou o filtro de partículas. Se ainda não tem máquina, comece por diagnóstico para particulares.


