A resposta curta
Uma máquina de diagnóstico liga-se à ficha OBD2 do carro e comunica com as centralinas. Conforme o modelo, pode fazer cinco coisas: ler e apagar avarias, mostrar dados em tempo real dos sensores, entrar em todos os sistemas (ABS, airbag, caixa, conforto…), fazer manutenções como o reset do óleo ou abrir o travão de mão elétrico e, nas gamas altas, ativar componentes e codificar centralinas.
Um leitor OBD2 barato só faz a primeira e só no motor. Para o resto precisa de uma verdadeira máquina de diagnóstico.
Muita gente compra a primeira máquina a pensar em apagar a luz do motor e, dois meses depois, descobre que não consegue trocar as pastilhas de trás porque o carro tem travão de mão elétrico. O contrário também acontece: pequenas oficinas que pagam um tablet topo de gama e depois usam 10 % do que ele faz.
Por isso convém ter claro que funções existem e quais vai mesmo usar. Explicamos todas, da mais simples à mais avançada, com exemplos reais da gama iCarsoft.
- Leitor OBD2Lê e apaga avarias do motor e das emissões. Mais nada.Exemplo: modo OBD2 de qualquer equipamento iCarsoft
- Todos os sistemas + serviçoEntra em todas as centralinas e faz as manutenções habituais.Exemplo: CR Pro e monomarca V2.0
- BidirecionalAlém disso, dá ordens ao carro para testar componentes.Exemplo: CR Pro+, CR Max P
- Codificação e programaçãoAltera a configuração das centralinas ou carrega-lhes software.Exemplo: CR Max P (codifica), CR Ultra P (programa)
Ler e apagar avarias
É a primeira coisa que qualquer máquina faz e a que mais se usa. Ao ligá-la, consulta a centralina e devolve os códigos guardados, por exemplo P0420 (catalisador) ou P0300 (falha de ignição), com a descrição em português.
Todos os carros a gasolina vendidos na Europa desde 2001 e os diesel desde 2004 têm OBD2 (na Europa chama-se EOBD). Essa parte é comum a todas as marcas e foi pensada para controlar as emissões. Inclui:
- Códigos de avaria confirmados e códigos pendentes (falhas que a centralina viu uma vez, mas ainda não confirmou).
- Apagamento de códigos e da luz avisadora.
- I/M Readiness, que indica se os monitores de emissões estão prontos. Muito útil antes da inspeção periódica.
- Testes das sondas lambda, do sistema EVAP e dos monitores de bordo.
- Dados do veículo: VIN e números de calibração.

Um conselho que repetimos muitas vezes: não apague sem antes anotar o código e os dados congelados. Se a falha for real, a luz volta a acender e terá perdido a informação que o ajudava a encontrá-la. Explicamos com calma em como apagar a luz do motor.
Dados em tempo real e dados congelados
Um código diz-lhe onde procurar, mas nem sempre que peça está avariada. Para isso servem os dados em tempo real: a máquina mostra o que os sensores estão a ler nesse momento. Temperatura do motor, rotações, pressão do turbo, tensão da bateria, correções de mistura, velocidade de cada roda…
Os dados congelados são uma fotografia desses mesmos dados no momento exato em que a avaria apareceu. Se a falha só surge a frio ou a uma certa velocidade, é aí que a vai ver.

Nos tablets como a CR Max P pode ver vários parâmetros ao mesmo tempo em gráfico e gravá-los para analisar depois, que é como realmente se encontram as avarias intermitentes.
Diagnóstico de todos os sistemas
É aqui que está a grande diferença entre um leitor OBD2 e uma máquina de diagnóstico. O OBD2 genérico só vê o motor. Se a luz acesa for a do ABS, do airbag ou da caixa de velocidades, um leitor básico vai dizer-lhe que não há avarias.
Com o software específico de cada marca, a máquina entra em todas as centralinas: motor, caixa, ABS/ESP, airbag, direção, climatização, carroçaria, conforto, quadrante… Em cada uma pode ler e apagar avarias, ver dados em tempo real e consultar a referência e a versão de software.

Todas as máquinas iCarsoft atuais o fazem. A diferença está no número de marcas: a CR Pro trabalha com 58 marcas e uma monomarca como a VAWS V2.0 concentra-se num grupo (neste caso Volkswagen, Audi, Seat e Skoda). Se está indeciso entre as duas opções, leia multimarca ou monomarca?
Funções de serviço
São os procedimentos que o carro exige depois de uma manutenção ou da troca de certas peças. Sem eles, o aviso não apaga, a peça nova não funciona bem ou simplesmente não consegue acabar o trabalho. Estas são as nove mais habituais:
| Função | Quando precisa dela |
|---|---|
| Reset do óleo | Depois de mudar o óleo e o filtro, para pôr a zero o aviso de revisão. Ver como se faz |
| EPB (travão de mão elétrico) | Para abrir as pinças de trás e trocar pastilhas ou discos. Ver como se faz |
| DPF | Regenerar o filtro de partículas (FAP) ou registar um novo. Ver como se faz |
| BMS | Registar uma bateria nova para que o alternador a carregue bem. |
| SAS | Calibrar o sensor de ângulo da direção depois de um alinhamento ou da troca de peças da direção. |
| Acelerador (ETC) | Reaprender a borboleta depois de a limpar ou trocar. |
| Codificação de injetores | Registar o código dos injetores novos na centralina. |
| Sangria do ABS | Sangrar o circuito dos travões acionando a bomba do ABS. |
| TPMS | Registar sensores de pressão dos pneus e apagar a luz avisadora. Ver como se faz |
Estas nove vêm na CR Pro e nas monomarca V2.0. A partir daí a lista cresce muito: a CR Pro+ tem 48 funções, a CR Max e a CR Max P chegam às 50 e a gama CR Ultra tem 40, com coisas como EGR, AdBlue, sensor de NOx, Start&Stop, suspensão pneumática ou aprendizagem da caixa automática.
Atenção às V1.0. As monomarca da gama antiga V1.0 só fazem reset do óleo e ângulo da direção. Se quer travão de mão elétrico ou DPF, precisa de uma V2.0. Comparamo-las em V1.0 vs V2.0.
Testes ativos ou controlo bidirecional
Uma máquina bidirecional não se limita a ouvir o carro: também lhe dá ordens. Pode ligar a bomba de combustível, pôr a trabalhar o eletroventilador, acionar um elevador de vidro, abrir a válvula EGR ou fazer funcionar a bomba do ABS, e ver no ecrã se o componente responde.
Parece um pormenor, mas poupa muito dinheiro. Se o ventilador não arranca quando o manda trabalhar a partir da máquina, sabe que o problema está no ventilador ou na cablagem e não no sensor de temperatura. Sem esse teste, o mais comum é acabar a trocar peças que estavam boas.

A CR Pro e as monomarca V2.0 não são bidirecionais. A CR Pro+, a CR Max, a CR Max P e a gama CR Ultra são. Se está entre a CR Pro e a CR Pro+, esta é a diferença que mais pesa; está explicada em CR Pro vs CR Pro+.
Codificação e programação de centralinas
São duas coisas diferentes e convém não as confundir:
- Codificar é alterar a configuração de uma centralina que já funciona. Por exemplo, adaptar uma peça de substituição, ativar uma função que o carro traz de fábrica mas tem desativada ou indicar ao carro que montou um engate de reboque. A CR Max e a CR Max P codificam em 8 grupos de marcas: BMW, VAG, Hyundai/Kia, Ford, Mazda, Renault, Chrysler/Jeep/Dodge e Subaru.
- Programar é carregar software na centralina, seja para a atualizar, seja para pôr uma nova a funcionar. A CR Ultra P faz programação na nuvem para 13 marcas e traz o VCI CR Link compatível com J2534 pass-thru, que permite usar o software oficial do fabricante a partir de um PC.

Antes de codificar ou programar: ligue um mantenedor de tensão à bateria, não desligue nada enquanto o processo durar e anote a codificação original. Se for interrompido a meio, pode deixar um sistema sem funcionar.
Outras funções que fazem diferença no dia a dia
Não fazem títulos, mas notam-se quando usa a máquina com frequência:
- Identificação pelo VIN. A máquina lê o número de quadro e reconhece marca, modelo e ano sem ter de os procurar nos menus. Evita erros na escolha do motor ou da versão.
- Relatórios e histórico. Guarda os carros que diagnosticou e permite partilhar o relatório, o que dá muito jeito se trabalha para terceiros.
- Atualizações. Os tablets atualizam-se por Wi-Fi; os equipamentos de botões, com o cartão TF e um PC. Na CR Pro, na CR Pro+ e na gama CR Max são gratuitas para sempre, sem subscrição. Na CR Ultra são gratuitas durante 3 anos e depois a renovação é opcional.
- CAN FD e DoIP. São os protocolos usados por muitos carros recentes. Se o seu carro precisa deles e a máquina não os suporta, não liga. Explicamos em o que é DoIP e CAN FD.

Que máquina precisa conforme o que vai fazer
Se o objetivo é manter os seus carros e os da família, quase nunca precisa de mais do que uma máquina com todos os sistemas e funções de serviço. Os testes ativos começam a compensar quando repara avarias a sério, e a codificação e a programação são trabalho de oficina.
| O que quer fazer | Chega-lhe isto |
|---|---|
| Ler avarias e fazer manutenções em carros de várias marcas | CR Pro |
| O mesmo, mas só para uma marca ou grupo | Uma monomarca V2.0 |
| Encontrar avarias com testes ativos | CR Pro+ ou CR Max P |
| Codificar centralinas | CR Max P |
| Programar centralinas e trabalhar em J2534 | CR Ultra P |
| Motas | MT PRO |
| Camiões e veículos pesados | HD V4.0 |
| Sensores de pressão dos pneus | TPMS V800 |
Se vai montar ou equipar uma oficina, tem um guia mais detalhado em que máquina de diagnóstico comprar para uma oficina.
Três perguntas antes de comprar
- Que carros vai ligar? Se forem de uma só marca ou grupo, uma monomarca fica mais barata. Se forem de várias, multimarca.
- Vai reparar ou só fazer manutenção? Para manutenção, todos os sistemas e as funções de serviço chegam e sobram. Para reparar, procure uma bidirecional.
- De que ano são os carros? Nos modelos recentes, confirme que a máquina suporta CAN FD e, se for preciso, DoIP.
Com estas três respostas, a escolha fica reduzida a um ou dois modelos. E se mesmo assim tiver dúvidas, envie-nos a marca, o modelo e o ano e dizemos-lhe qual serve para o seu carro.


